quinta-feira, 8 de maio de 2014

CALIGULA

A história não foi complacente com Calígula, o detentor de um reinado tão curto quanto violento no primeiro século de nossa era, em Roma. Ele permaneceu no poder de março de 37 até seu assassinato, em janeiro de 41. Foi o terceiro imperador romano, membro da dinastia júlio-claudiana, iniciada por Augusto.

A reputação de louco feroz, capaz de incríveis crueldades, foi construída ao longo de apenas quatro anos de poder, um período curto demais para fama tão arraigada, mas nada indica que ele fosse diferente do que ainda hoje se diz do personagem. O próprio nome Calígula tornou-se sinônimo de atrocidade.

Cabe, contudo, buscar a fonte primordial: a obra A vida dos doze césares, do escritor e historiador Caio Suetônio (69-c.141), que não foi contemporâneo de Calígula, mas ótimo observador dos costumes romanos. Outros historiadores, como Filo (30-50 d.C.), Josefo (37-92 d.C.) e Dião Cássio (data imprecisa do século II), também citaram o imperador em suas obras. Especificamente no caso de Calígula, Suetônio é de longe o mais influente entre os quatro, mesmo que se apontem frequentemente imperfeições em sua obra.

Para conhecer o monstro da antiga Roma, parece uma boa opção desistir de buscar refúgio atrás das crises de epilepsia de Calígula e de algumas insanidades a ele atribuídas. Doenças física e mental explicam uma parte, talvez pequena, da biografia. A outra parte passa necessariamente por sua origem familiar, o ambiente depravado no qual cresceu e, sobretudo, o estado das instituições do Império.

Até porque na Antiguidade a epilepsia simplesmente não era compreendida como hoje. Era um estigma na vida do paciente e uma mancha em sua biografia. Foi preciso que nascessem homens como os escritores Fiodor Dostoievski e Gustave Flaubert ou um teórico e político como Vladimir Lenin, todos epiléticos, para que o mundo passasse a ver a doença de outra forma. A percepção de que doença e crueldade não caminham juntas certamente nem passava pela cabeça dos historiadores antigos.
CNG COINS (HTTP://WWW.CNGCOINS.COM)
Moeda cunhada durante o reinado de Calígula (37 - 41 d.C.), com efígie do imperador em um dos lados (à esq.) e de suas três irmãs, Agripina, Drusela e Júlia
MITOLOGIA PESSOAL
Caio César Augusto Germânico, vulgo Calígula, nasceu em Âncio, província de Roma na região do Lácio, no dia 31 de agosto do ano romano 765, ou seja, no ano 12 de nossa era. Seu pai era Germânico, sobrinho de Tibério, e sua mãe, Agripina Maior, neta de Augusto.

Sendo Tibério filho de Lívio, adotado por Augusto, Calígula pertencia à linhagem de César, alegadamente descendente do lendário Ascânio, filho do troiano Enéas, ele mesmo filho de Vênus. Sua origem, como se vê, se mistura com a mitologia.

Ainda jovem, Calígula manifestava as qualidades do pai, homem de personalidade e de honestidade escrupulosas, além de um general notável. Germânico era amado pelo povo. E, de início, o filho Calígula também era, pois se mostrava brilhante e muito modesto. Frequentava as tropas do pai e se vestia como legionário, exibindo nos pés as caligae (espécie de calçado) regulamentares, o que lhe valeu o codinome.

Mais tarde, entregue às intrigas do círculo de Tibério, ele sucumbiu às promessas de agitadores – em particular de Névio Sutório Macro, o líder da guarda pretoriana, que garantia a segurança do imperador. Era tal o poder de um prefeito pretoriano à época que por vezes ele assumia a condição de “segundo homem” do Estado. Macro preparava em segredo a sucessão do imperador e mobilizou todos os meios para que a dignidade imperial coubesse a Calígula. Foi então que surgiram os primeiros sinais da nova vida de desregramento do jovem herdeiro, que desembocaria em ligação explícita com a irmã, Agripina Menor, a futura mãe de Nero, e de todo tipo de fantasias bissexuais.
MUSEU ROMANO-GERMÂNICO, COLÔNIA (AGRIPINA) / GLIPTOTECA DE MUNIQUE /© BIBI SAINT-POL/CREATIVE COMMONS (DRUSELA)
Agripina Menor (à esq.) e Drusela (à dir.), duas irmãs com quem Calígula mantinha relações sexuais. O imperador também as obrigava a se prostituir Agripina Menor e Drusela, esculturas em mármore, autor desconhecido, sem data
Um episódio narrado pelo historiador Públio Cornélio Tácito (55-120 d.C.) atesta a atmosfera que reinava em torno de Calígula. Certa vez, o imperador Tibério aportou no cabo Miseno, em Catânia, hoje região da Sicília. Seu médico pessoal não tardou a atestar que o velho não tinha mais que dois dias de vida. Foi o que bastou para que se instalasse uma rede de intrigas palacianas.

Nas palavras de Tácito: “No dia 17 das calendas de abril, Tibério mergulhou em uma inconsciência profunda: acreditou-se que ele estava morto. Caio [o nome verdadeiro de Calígula], já em meio às felicitações de uma numerosa corte, saía para tomar posse do Império quando alguém veio subitamente anunciar que Tibério recuperava a consciência, a fala. (...) Caio, em um silêncio morno, não esperava outra coisa senão o suplício; Macro, mais ousado, mandou sufocar o ancião sob uma pilha de cobertores, e ordenou que todos se retirassem. Assim desapareceu Tibério, aos 78 anos de idade”.

E assim começou o reinado de Caio Calígula.

Mas quem comandava o jogo a partir de então? Seguramente não era Calígula. O imperador não passava de um chefe dos exércitos que devia seu poder a um bandode guerreiros que o escolheram para comandante.

Aparentemente, tudo estava de acordo com as leis. Havia um Senado, guardião das instituições romanas. Havia magistraturas, todas respeitadas. Calígula foi reconhecido como imperator, mas também era cônsul, pretor, censor, edil, “tribuno do povo” e, sobretudo, grande pontífice, mestre da religião oficial romana.
ROGER-VIOLLET /TOPFOTO/KEYSTONE
O imperador aproveitava espetáculos de gladiadores para lançar inimigos às feras, assim como combatentes que demonstrassem fraqueza Calígula retratado por Suetônio, ilustração de Gustav Surand, 1901
Só que o conjunto abrigado sob a denominação de Império Romano, com um líder inconteste à frente, não era mais que uma gigantesca vigarice. Simplesmente porque por trás de um personagem que desempenhava o papel principal agiamos que o manipulavam. Essa era a fraqueza e o paradoxo do sistema.

O imperador era necessário, pois era a imagem do poder de Roma. Nessas condições, deixava-se que ele agisse como bem quisesse, desde que não contrariasse os interesses da classe dirigente. O povo nunca intervinha, pois os habitantes de Roma já não eram os virtuosos cidadãos da República, o regime que vigorou de 509 a.C. a 27 a.C. No Império a população, de modo geral, poderia ser comparada a uma multidão de desocupados e mendigos que se calavam se fosse distribuída comida e providenciadas distrações, como os combates do Circo.

Calígula adorava presidir essas festas, aliás. Ele se sentia o senhor e mestre de Roma e se regozijava ouvindo elogios a sua pessoa e majestade e notando a bajulação que fortalecia sua indomável megalomania. Paralelamente, se desenvolvia dentro do jovem imperador uma paranoia igualmente invencível. Roma teve o azar de essa pessoa ser o homem a quem o Estado facultava decidir, em nome da coletividade, o que era bom ou mau, quem obteria os favores do governo e, pior, quem deveria ser eliminado.

Os crimes de Calígula passaram a ser incontáveis. E suas fantasias e excentricidades também. Sobre isso, o historiador Suetônio conta que o imperador presenteou o cavalo com uma estrebaria feita de mármore, uma dentadura de marfim, sem falar de uma casa e de empregados para tratar esplendidamente os convidados em nome do animal. Diz-se que quis transformar o quadrúpede em cônsul.
DIVULGAÇÃO
Cena do filme Calígula, de 1978, na qual o diretor Tinto Brass recria uma orgia na corte do terceiro césar
Como seu orgulho não tinha limites, ele mandou fazer uma estátua de si mesmo, como se fosse Júpiter, e ordenou que fosse colocada no Templo de Jerusalém. Júpiter não é um deus qualquer da mitologia romana, derivada da grega. É o senhor do Olimpo, pai de muitos outros deuses, como Marte e Vênus, por exemplo. E o Templo de Jerusalém – no caso, o segundo – era o secular local de culto de Deus de Israel.

Nessas agressivas incursões mitológicas e religiosas, a loucura de Calígula não deixava de ter natureza mística. Mesmo seus desregramentos sexuais tinham algo de sagrado. O incesto remetia ao casamento dos faraós com as respectivas irmãs. Já a orgia era uma ativação das forças cósmicas, por meio da qual se atingia o sublime. O imperador queria se transformar em um deus.

Ocorre que nesses assuntos da alma a mentalidade da população trilhava caminhos distintos. A religião romana rejeitava a teofania, ou seja, a encarnação de um deus exterior nos vivos. A palavra-chave da mística romana era a apoteose, o rito funerário que divinizava o defunto. O primeiro imperador romano, Otávio Augusto, por exemplo, havia recusado em vida as honras divinas. Teve, porém, direito a uma apoteose depois de morto. Calígula, porém, não quis esperar a morte para se tornar um deus.

Em virtude da exigência do sistema romano de que o imperador fosse eleito, chegou o momento em que os que governavam efetivamente já não precisavam de personagem tão tresloucado apenas para fazer a figuração. Os excessos de Calígula deveriam andar tão insuportáveis que os verdadeiros governantes de Roma decidiram se livrar dele. Foi mais uma vez o chefe da guarda pretoriana que comandou a ação. Em 24 de janeiro do ano 41, Calígula foi assassinado e substituído por Cláudio.
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O IMPERADOR MARCO ANTONIO

Marco António

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Marco Antônio
Cônsul da República Romana Spqrstone.jpg
Mandato1º 44 a.C.
2º 34 a.C.
3º 31 a.C.
Cônsul1º Caio Júlio César e Públio Cornélio Dolabela
2º Lúcio Escribônio Libão3º Caio Octávio Turino
Antecessor(a)1º Cneu Domício Calvino (como Magister Equitum)
2º Sexto Pompeu
3º Cneu Domício Enobarbo
Sucessor(a)1º Aulo Hírcio
2º e 3º Caio Octávio Turino
Magister Equitum da República Romana Spqrstone.jpg
Mandato1º 48 a.C.
2º 47 a.C.
Ditador1º e 2º Júlio César
Antecessor(a)1º Públio Servílio Vácia Issáurico(como Cônsul)
Sucessor(a)2º Públio Vatínio (como Cônsul)
Vida
Nascimento14 de janeiro de 83 a.C.
RomaRepública Romana
Morte1 de agosto de 30 a.C. (53 anos)
AlexandriaEgito
Dados pessoais
CônjugeFadia
Antonia Hybrida Minor
Fúlvia
Octávia
Cleópatra VII
Serviço militar
Anos de serviço54 a.C. – 30 a.C.
GraduaçãoGeneral
ComandosExército romano
Batalhas/guerrasGuerras da Gália
Segunda Guerra Civil de Roma(Batalha de Farsalos)
Guerras romano-partas
Batalha de Filipos
Batalha de Áccio
Marco António (português europeu) ou Marco Antônio (português brasileiro) (em latimMarcus Antonius;notas 1 , Roma83 a.C.– Alexandria30 a.C.), foi um célebre militar e político romano da fase final da República.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Pertencente a uma família de origem patrícia (gens Antonia), Marco Antônio nasceu em Roma.
Seu pai, Marco Antônio Crético (Marcus Antonius Creticus), era filho do orador Marco Antonio (Marcus Antonius Orator),1assassinado pelos partidários de Caio Mário,2 em 87 a.C. Sua mãe, Júlia Antônia, era sobrinha de Júlio César.1 Marco Antônio Crético e Júlia tiveram três filhos, Marco, Caio e Lúcio.1
Tendo enviuvado ainda jovem, sua mãe voltou a casar-se, dessa vez com Públio Cornélio Léntulo Sura, um político que viria a ser acusado de envolvimento na Conjuração de Catilina, e que por isso foi executado por ordem de Cícero (razão da inimizade que se estabeleceu entre Marco Antônio e o célebre orador).
Árvore genealógica, apenas dos ancestrais, baseada no texto e nos artigos dos personagens citados
 
Marco Antônio Orador
 
 
 
 
 
 
 
 
Lúcio Júlio César III
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Marco Antônio Crético
 
 
 
 
 
 
 
 
Júlia Antônia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Marco Antônio
 
 
Caio Antônio
 
 
Lúcio Antônio
 
 
 

Juventude desregrada[editar | editar código-fonte]

A juventude de Marco Antônio se caracterizou, segundo Plutarco, pela falta de uma adequada orientação paterna. Ele e seus irmãos juntaram-se a um jovem e excêntrico político chamado Clódio (que militava entre os Populares), passando os dias nas tavernas, visitando bordéis, vadiando nas saunas e nos antros de jogatina, envolvendo-se em escândalos amorosos e, sobretudo, bebendo 3 . Em conseqüência, antes de completar vinte anos, já estava endividado, devendo cerca de 250talentos (6 milhões de sestércios). Em 58 a.C., ele partiu para a Grécia, em parte para escapar de seus credores notas 2 .
Em Atenas, Marco Antônio freqüentou as aulas dos mais afamados professores de Retórica, especializando-se no elegante e floreado "estilo asiático". Além disso, participava de exercícios militares das tropas romanas estacionadas na região. Foi então que, em 57 a.C., o procônsulAulo Gabínio, a caminho da Síria, impressionado com sua habilidade equestre, convidou-o a participar de uma campanha na Judeia, como comandante de sua cavalaria.

Campanha da Judeia[editar | editar código-fonte]

Em 63 a.C.Pompeu interviera na Judeia, apoiando Hircano II em detrimento de seu irmão, Aristóbulo II. Mas em 59 a.C., Alexandre, filho de Aristóbulo, derrotou Hircano, proclamando-se rei e sumo sacerdote judeu. A missão de Galbino era derrubar Alexandre.
Em seu primeiro combate real, Marco Antônio demonstrou a coragem de um veterano, sendo um dos primeiros a transpor as muralhas da fortaleza onde Alexandre concentrara suas forças. A fortaleza foi tomada e o jovem Antônio foi alvo de muitos elogios dos militares.
A luta recomeçou quando Aristóbulo (que fora levado para Roma, por Pompeu) voltou à Judeia e reagrupou o exército de seu filho. Colocado por Galbino no comando de algumas legiões, Marco Antônio voltou a dar mostras de bravura e liderança, contribuindo, decisivamente, para a vitória das forças romanas.

Campanha do Egito[editar | editar código-fonte]

Artigo principal: Dinastia ptolemaica
Dos três grandes estados sucessores do império de Alexandre, o Egito era o único que, à essa época, mantinha-se independente diante doimperialismo romano. Ao assumir o trono, em 80 a.C., o rei Ptolomeu XII entendeu que a melhor maneira de preservar essa independência seria cultivar as boas graças de Roma. Com esse propósito, ele viajou, no ano seguinte, para a Itália, objetivando conseguir que o senadoreconhecesse o reino do Egito como "aliado e amigo do povo romano". Bajulando os senadores influentes, distribuindo presentes e propinas aos figurões da política romana, o rei afinal alcançou seu objetivo notas 3 .
Todavia, Ptolomeu não foi bem recebido, em sua volta ao Egito, onde já se espalhara a notícia de sua postura servil diante dos romanos. E quando a ilha de Chipre — última possessão marítima egípcia — caiu em poder de Roma, sem que ele esboçasse nenhum protesto notas 4 , a população de Alexandria se revoltou e expulsou o rei, colocando no trono sua filha, Berenice.
Após tentar, sem êxito, que o senado romano aprovasse o envio de tropas para restaurá-lo no trono notas 5 , Ptolomeu apelou a Galbínio, que aceitou ajudá-lo, em troca de grande quantidade de ouro 4 . No outono de 56 a.C., a campanha começou. Após dificílima travessia do vasto deserto do Sinai, as forças romanas chegaram à fronteira do Egito, deparando-se com a fortaleza de Pelúsio. O ataque à fortaleza foi comandado por Marco Antônio, que tomou a cidade num assalto fulminante. notas 6
Após derrotar as forças egípcias que encontrou pelo caminho, o exército romano entrou em Alexandria. Recolocado no trono, Ptolomeu vingou-se de seus adversários, mandando executar, inclusive, sua própria filha, Berenice notas 7 .
Foi durante o tempo de sua permanência em Alexandria, que Antônio conheceu a irmã de Berenice, Cleópatra, então com 14 anos. Em seguida, após breve estada em Roma, ele partiu para a Gália, onde o esperava um posto no exército de Júlio César.

Alésia[editar | editar código-fonte]

Artigo principal: Guerras da Gália
Vercingetórix rende-se a César, porLionel RoyerMuseu Crozatier , em Le Puy-en-Velay
Não há informações sobre os primeiros anos de serviço de Marco Antônio no exército de Júlio César, na Gália, até porque o que se sabe sobre aquela guerra provém do livro "De Bello Gallico", escrito pelo próprio César que, se pouco crédito dá aos oficiais veteranos daquela campanha, menos ainda se ocupa dos que, como Antônio, eram novatos. Sabe-se que, em 54 a.C., ocorreu a segunda expedição à Britanha, da qual participaram cinco legiões e uma cavalaria de dois mil homens. Possivelmente, Marco Antônio há de ter participado da expedição, como oficial de cavalaria.
Confirmada mesmo foi sua importante participação no cerco de Alésia, o último capítulo da conquista romana da Gália. Durante quatro dias, o exército de César lutou em duas frentes, com Marco Antônio comandando várias legiões. No segundo ataque gaulês, realizado durante a noite, os homens de Antônio quase cederam, sendo salvos pela chegada de reforços. No dia seguinte, o chefe gaulês, Vercingetórix, à frente de 60 mil guerreiros, lançou seu derradeiro e desesperado ataque. Durante a luta, César e Antônio podiam ser vistos cavalgando de um lado para o outro das linhas romanas, incentivando os legionários e providenciando reforçosnotas 8 . Quando a batalha terminou, Vercingetorix deixou Alésia, montado em seu cavalo branco, e depôs suas armas aos pés de César, enquanto Marco Antônio recebia todas as honras militares por sua destacada conduta na luta.
À essa altura, ele ascendera à invejável condição de principal general de César, tanto que lhe coube assumir o comando do corpo principal do exército, enquanto César rematava sua conquista, eliminando os últimos focos de resistência gaulesa.
Assim, no final de 51 a.C., Marco Antônio tornara-se famoso, rico (graças aos despojos da guerra gaulesa) e homem de confiança de César. Estava pronto para enveredar pelas estradas da política, rumo ao poder.

Desfaz-se o primeiro triunvirato[editar | editar código-fonte]

Artigo principal: Batalha de Farsalos
Em 53 a.C., decidido a fazer de Marco Antônio seu principal representante político notas 9 , César mandara-o a Roma, com recursos e recomendações suficientes para concorrer ao cargo de Questor, nas eleições daquele ano. As mortes de Júlia (filha de César e esposa de Pompeu) e do triúnviro Crasso (que empreendera uma fatídica campanha contra o Império Parta), haviam fragilizado o triunvirato, aguçando a disputa pelo poder entre Júlio César e Pompeu, cujos respectivos partidários se engalfinhavam nas ruas.5
Uma vez em Roma, Marco Antônio envolveu-se em um conflito no Fórum, ocasião em que teria tentado apunhalar seu velho amigo, Clódio notas 10 . Os distúrbios nas ruas tornaram-se tão agudos, que provocaram o adiamento das eleições, por um ano. Quando elas, afinal, se realizaram, Antônio ganhou facilmente a questura, em uma campanha permeada de subornos e baixarias.
De volta a Roma, em 50 a.C., elegeu-se tribuno da plebe, cargo que utilizou para proteger os interesses de César, ameaçados pela facção conservadora do Senado, que se apoiava em Pompeu. A questão central residia no desejo de César de concorrer ao consulado "in absentia", para não perder seu poder proconsular na Gália, o que feria a legislação vigente notas 11 . Agindo em nome de César, Antônio tentou negociar várias fórmulas de conciliação, mas os conservadores não cederam, gerando um impasse político que selou o fim do triunvirato. Afinal, quando o Senado decretou a Lei marcial (7 de janeiro de 49 a.C.), outorgando poderes ditatoriais a Pompeu e exigindo que César entregasse seu comando na Gália, Marco Antônio, temendo ser assassinado, deixou Roma disfarçado de escravo e juntou-se ao exército de César, estacionado na Gália Cisalpina.
- "A sorte está lançada" — teria dito César, cruzando o rio Rubicão e ingressando na Itália, violando a lei da traição, que proibia um governador de levar tropas para fora de sua província, sem autorização do senado notas 12 .
Começava a guerra civil.
Na Batalha de Farsalos (agosto de 48 a.C.), travada em solo grego, na qual César derrotou seu rival, Antônio teria sido o responsável pelo vigoroso ataque que rompeu as linhas do exército pompeísta, levando-o à derrota. Depois, ele foi mandado de volta à Itália, para governá-la, enquanto César ia atrás de Pompeu, que fugira em um navio, buscando refúgio no Egito.

A ditadura de César morre no senado[editar | editar código-fonte]

Morte de Júlio César, por Vincenzo Camuccini,1798, na Galeria Nacional de Arte Moderna
Quando Júlio César chegou a Alexandria, recebeu o anel e a cabeça de Pompeu, decepada por ordem daqueles que (efetivamente) governavam o país, em nome do rei-menino, Ptolomeu XIII notas 13 . Decidido a extorquir daquele reino próspero uma elevada soma para atender às despesas de sua campanha 6 , ele instalou-se no palácio real, pretextando servir de árbitro na disputa entre o jovem rei e sua irmã, Cleópatra, também pretendente ao trono. Mas o modo arrogante e senhoril com que se apresentou diante dos alexandrinos, provocou a revolta da população, levando-a cercar e atacar o palácio. Na luta travada em Alexandria" notas 14 , César foi salvo pela providencial chegada de reforços. Partindo para a ofensiva, ele esmagou as forças egípcias (Na Batalha do Nilo, o rei Ptolomeu foi morto.) e entronizou no trono a princesa Cleópatra, com quem estabeleceu laços pessoais e políticos.
Enquanto César permanecia em Alexandria, Marco Antônio governava a Itália, desastradamente. O que ele tinha de bom general, tinha também de péssimo administrador. Descuidando de seus deveres, entregou-se aos velhos hábitos da juventude: bebida, orgias e dilapidação de dinheiro, contraindo enormes dívidas para comprar presentes suntuosos às suas amantes e oferecer exorbitantes banquetes.
Quando César retornou a Roma e implantou sua ditadura, as orgias de Antônio cessaram e ele se viu obrigado a saldar as dívidas que contraíra. As relações entre os dois homens ficaram estremecidas por algum tempo, mas depois se normalizaram.
Em 15 de março de 44 a.C., Júlio César foi assassinado por um grupo de senadores, liderados por Caio Cássio Longino e Marco Júnio Bruto. A princípio, os assassinos dominaram a cena política, apresentando-se como salvadores da república, ameaçada pela ditadura de César, porém um discurso apaixonado de Marco Antonio, exibindo as vestes ensangüentadas do ditador, em seu funeral, virou a opinião pública contra eles, obrigando-os a fugir.
O projeto de Antônio de se tornar herdeiro do poder de César ficou comprometido com a chegada do jovem Otaviano, filho adotivo do ditador, que logo recebeu o apoio dos senadores, que não confiavam em Antônio. Do alto de sua eloqüência, Cícero proferia discursos inflamados contra Marco Antônio notas 15 , acusando-o de perfídia e devassidão.
A disputa entre Antônio e Otávio pelo espólio político de César, desaguou em um confronto militar. Na Batalha de Mutina (atual Módena), na Gália Cisalpina, em abril de 43 a.C., Antônio foi derrotado e teve que fugir pelos Alpes.
Foi na Gália Transalpina que ele encontrou e recebeu apoio de vários comandantes militares, entre eles, Lépido, homem de confiança de César. Enquanto isso, Otaviano se desentendia com o senado, que lhe negara o consulado, por não ter ainda a idade legal. Isso aproximou os rivais que, juntamente com Lépido, reuniram-se em Bonônia (atualBolonha), onde firmaram as bases de um acordo de partilha do poder, conhecido como segundo triunvirato.

Segundo triunvirato[editar | editar código-fonte]

Artigo principal: Segundo triunvirato
Aureus de Marco Antônio e Otaviano.
Ao contrário do primeiro, o segundo triunvirato (previsto para durar cinco anos) foi oficializado pelo senado, através da Lei Títia, que dividiu as províncias romanas entre os triúnviros, cabendo:
A primeira providência dos triúnviros foi elaborar listas de proscrições de seus inimigos. Cerca de 300 senadores e 2000 cavaleiros foram caçados até a morte. Entre as vítimas ilustres, estava Cícero, inimigo de Antônio.
Após o holocausto de seus inimigos, os triúnviros voltaram sua atenção para Bruto e Cássio, que haviam reunido um grande exército na Macedônia e conquistado o apoio da frota de Pompeu, o Jovem (filho de Pompeu). No verão de 42 a.C., travou-se a Batalha de Filipos. Bruto derrotou o exército de Otaviano, no norte, mas no setor sul, Marco Antônio esmagou as forças de Cássio, que se matou. Alguns dias depois, Antônio e Otaviano juntaram-se e derrotaram Bruto, que também recorreu ao suicídio.
Enquanto Otaviano retornava à Itália, Marco Antônio permaneceu no Oriente, a fim de levantar recursos para os triúnviros. Mas ele não tardou a mergulhar numa vida de prazeres, sendo cortejado em todas as cidades por onde passava, onde lhe ofereciam suntuosos banquetes e o saudavam como "encarnação de Dionísio" — o Baco latino, deus do vinho.
Foi na Ásia Menor que ele reencontrou a rainha do Egito, Cleópatra, a quem convocou ao seu acampamento em Tarso, para prestar esclarecimentos sobre sua suposta ajuda a Bruto e Cássio. Esse encontro haveria de ser decisivo para os rumos do segundo triunvirato.

Antônio e Cleópatra[editar | editar código-fonte]

Artigo principal: Cleópatra
Marco Antônio casara-se várias vezes. Na juventude, com Fadia, de quem se sabe apenas que era rica e lhe deu filhos. Depois, com Antônia, de quem se divorciou por suspeita de adultério. Após uma longa ligação com a atriz, Cítera (com quem não se casou), desposou Fúlvia, de quem se tornara amante quando ela ainda era casada com Clódio (assassinado em 52 a.C.). Ele já estava casado com Fúlvia, quando Cleópatra veio ao seu encontro, em Tarso.
Rica e encantadora, inteligente e divertida, arrogante e carinhosa, Cleópatra foi ao encontro de Antônio, em Tarso, a bordo de seu magnífico navio real, luxuosamente preparado para recepcionar o triúnviro. A recepção durou quatro dias. Seduzido pelos encantos da rainha, Antonio decidiu passar o inverno de 41 a.C. a 40 a.C. no Egito, em sua companhia. Nos meses seguintes, em Alexandria, ele levaria uma vida de fausto e prazeres notas 16 .
Ao final desse tempo, os negócios públicos reclamaram sua atenção. No Oriente, os partas estavam atacando territórios romanos e, em Roma, sua esposa, Fúlvia, e seu irmão, Lúcio, estavam em rebelião aberta contra Otaviano. Na primavera de40 a.C., Marco Antônio retornou à Itália, deixando Cleópatra grávida de gêmeos. Não a veria pelos próximos três anos.
Quando Antônio chegou a Roma, Otávio já esmagara os rebeldes, na Batalha de Perúsia, onde Fúlvia morrera durante os combates. Por muito pouco não estourou a guerra civil entre os triúnviros. Mas eles acabaram chegando a um acordo, firmando o Tratado de Brundísio, que confirmava a divisão do império entre os dois e reduzia a parte de Lépido, atribuindo-lhe apenas o governo de uma pequena província na África. Para selar o acordo, Antônio casou-se com Otávia, irmã de Otaviano.
Assegurada a paz interna, as atenções voltaram-se para a Pártia. Decidiu-se que Antônio comandaria uma campanha contra o reino rival. Todavia, de 39 a.C. a 37 a.C., o exército de Antônio lutou contra os partas sem a presença de seu comandante, que se detivera na Grécia, entregando-se a intermináveis orgias, que somente se interromperam devido à revolta de Sexto Pompeu (filho de Pompeu Magno).
Retornando à Itália, encontrou a opinião pública voltada contra ele, em parte devido ao seu comportamento devasso e irresponsável, e em parte devido às intrigas de Otávio. Outra vez, houve risco de rompimento entre os triúnviros . Afinal, graças à mediação de Otávia, chegou-se a um novo acordo, com a assinatura do Tratado de Tarento, que renovou o triunvirato por mais cinco anos. Antônio haveria de partir para o Oriente, onde receberia tropas enviadas por Otávio,para combater os Partas.
Mas António estava cético sobre o apoio de Otaviano, de modo que, deixando Otávia em Roma, grávida de sua segunda filha (Antônia, a Jovem), viajou para Alexandria, onde reencontrou Cleópatra, que lhe forneceu os meios para levantar um exército destinado à campanha na Pártia. Em troca, ele entregou à rainha possessões romanas no Oriente — a Fenícia e o norte da Judeia — e prometeu casar-se com ela, para legitimar os gêmeos que ela tivera dele: Alexandre Hélio e Cleópatra Selene II.

Derrota[editar | editar código-fonte]

Fraates IV, o rei parta que humilhou Antônio.
Em 36 a.C., com vastas reservas monetárias e cerca de 100 mil homens em armas, Marco Antônio afinal deu início à campanha da Pártia. Ao longo de três anos, seu legado, Ventídio, havia ganho várias batalhas (não conclusivas) contra os partos. Agora, o triúnviro estava ali, pretendendo esmagar de uma vez por todas a arrogância desse povo que ousava se opor ao avanço do Império Romano.
Empreendendo uma marcha cansativa através da Ásia Menor, chegou à Armênia mas não permitiu que seus soldados descansassem, obrigando-os a continuar o avanço até Frata, uma das principais cidades do inimigo. Mas ao atacar a cidade, sofreu uma enorme derrota. O número de romanos mortos chegou a 10 mil. A notícia desse fracasso levou o rei da Armênia, Artavades II, que era aliado de Roma, a romper a aliança e proclamar-se neutro no conflito parto-romano.
Porém Antônio não perdera seu brilho militar. Simulando uma retirada geral, recuou durante um dia. Então, inesperadamente, deu meia volta e desfechou um ataque de surpresa contra os partas, que o estavam seguindo à distância. Foi a vez dos asiáticos recuarem, após sofrerem pesadas perdas.
Com a guerra virtualmente empatada, o rei parta, Fraates IV, ofereceu a Antônio um acordo: as tropas romanas voltariam para a Armênia, sem serem molestadas pelos partas. Mas o general romano recusou. Desistir da campanha seria uma confissão de derrota.
Com a chegada do inverno, a situação dos romanos tornou-se crítica. A comida escasseava. A disciplina cedeu e os soldados lutavam entre si pelos poucos suprimentos que ainda restavam. Diante desse quadro, não restou a Antônio outra alternativa senão ordenar o retorno à Armênia.
Foi uma retirada trágica. Acossados pelos arqueiros partas, os legionárias precisavam andar com os escudos sobre a cabeça para se protegerem das flechas. Muitos romanos tombaram no caminho, seja sob os dardos dos partas, seja comendo raízes venenosas ou bebendo água de poços insalubres. Quando finalmente chegaram à Armênia, os soldados se ajoelharam e beijaram a terra.
Para Antônio, a campanha se encerrava de um modo humilhante. Nos 27 dias de prova, havia travado 18 batalhas e perdido 24 mil homens. Outros 8 mil haveriam de morrer em tempestades de neve, antes de alcançarem o Mediterrâneo, onde Cleópatra os esperava com roupas e suprimentos. Em suma, Antônio perdera quase a metade de suas forças e nada ganhara. O desastre abalou sua fama de general invencível e enfraqueceu seu poder político em Roma.

Ocaso de um guerreiro[editar | editar código-fonte]

Artigo principal: Batalha de Áccio
Não fora apenas o fiasco na Pártia que manchara a reputação de Antônio. Os romanos também se indignaram com sua decisão de fixar residência permanente no Egito, ao lado de Cleópatra. Espalhou-se a notícia de que os dois haviam se casado, provavelmente em Antioquia, em 36 a.C., e que ela lhe havia dado um terceiro filho, Ptolomeu Filadelfo, durante o retorno a Alexandria.
Aos olhos dos cidadãos romanos, Marco Antônio abandonara sua esposa — uma virtuosa mulher romana, que cuidava de seus filhos e tomava conta de seus negócios — para viver ao lado de uma rainha estrangeira.
Otaviano aproveitava-se da situação para aumentar sua própria influência, em detrimento de seu parceiro no triunvirato. Nosenado, ele denunciava um suposto plano de Antônio de separar as províncias orientais do império, estabelecendo o Egito como o centro de um novo Estado independente de Roma. Além disso, Otaviano grangeara prestígio. Sua frota, comandada por Marco Vipsânio Agripa, esmagara os navios de Pompeu, o Jovem, que atacava, sistematicamente, os navios mercantes romanos, no Mediterrâneo. À essa época, ele também expulsou Lépido do triunvirato, deixando-lhe apenas o cargo de pontifex maximus, que o ex-general de Júlio César exerceu até sua morte, em 13 a.C..
Em 34 a.C., Antônio perdeu uma excelente oportunidade para recuperar seu prestígio em Roma, ao colher uma vitória espetacular contra Artavasdes, o rei da Armênia que o havia abandonado durante a campanha da Pártia. Mas em lugar de trazer o rei armênio prisioneiro para Roma e exibi-lo em desfile triunfal, preferiu comemorar sua vitória no Egito, ocasião em que teria promovido as célebres "Doações de Alexandria", entregando territórios romanos no Oriente para Cleópatra e os filhos do casal. À rainha, ele concedeu Chipre e Líbia; aos filhos coube a Armênia, MédiaSíriaCirene e Cilícia. Quando a história das doações chegou à Itália, os romanos se mostraram furiosos.
A guerra civil tornou-se iminente e Antônio a precipitou quando, em 32 a.C., ao expirar-se o prazo do triunvirato, ele não se mostrou interessado em renová-lo e, além disso, divorciou-se de Otávia (provavelmente por exigência de Cleópatra), quebrando o último elo que o ligava ao seu rival. Astucioso, Otaviano acusou Cleópatra de estar se apropriando de províncias romanas e obteve do senado uma declaração de guerra ao Egito, sem menção a Antônio.
As operações militares conduziram à Batalha de Áccio (31 a.C.), na qual a frota romano-egípcia de Antônio e Cleópatra foi destruída pelos navios de Otávio, comandados por Agripa. Quando o combate já se inclinava em favor de Otaviano, mas ainda estava indefinido, Cleópatra conduziu sua frota de volta ao Egito. Ao vê-la partir, Antônio correu atrás dela, seguindo-a até Alexandria, deixando seus homens morrerem sem seu general.

Túmulo egípcio[editar | editar código-fonte]

A morte de Cleópatra, por Reginald Arthur, no Roy Miles GalleryLondres.
Chocados com a deserção de seu comandante, os soldados de Antônio renderam-se a Agripa. Em Alexandria — segundo Plutarco — o casal entregou-se a banquetes e bebedeiras, tentando esconder o desespero face ao seu destino iminente, enquanto as forças de Otávio se aproximavam, inexoravelmente, do Egito.
Quando as últimas tropas ainda leais a Antônio o desertaram, ele decidiu matar-se, de acordo com a tradição romananotas 17 . Mas há outra versão, segundo qual ele se matou ao ser informado do suposto suicídio de Cleópatra. Na verdade, a rainha aguardou a chegada de Otávio e teria tentado algum tipo de acordo com ele. Somente quando se convenceu de que seria levada prisioneira para Roma para participar do Triunfo do vencedor, foi que ela se fez matar, provavelmente, recorrendo a uma serpente venenosa.
O filho de Cleópatra com César, Cesarion, e o de Antônio com Fúlvia, Antilo, foram mortos por ordem de Otávio. Este, por sua vez, regressou a Roma como o homem mais poderoso do país.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Marco António foi casado 5 vezes, sendo seu primeiro casamento com uma mulher chamada Fádia o único sem filhos conhecidos. Suas outras esposas foram Antónia Híbrida,FúlviaOtávia e Cleópatra VII.
Fadia, a filha de um liberto. De acordo com Cicero, Fádia e António tiveram diversos filhos, mas mais nada se sabe sobre ela ou esses filhos. Cicero é a única fonte romana onde esta primeira esposa de Marco António é mencionada.
Antónia Híbrida Minor, sua prima por parte de pai. De acordo com Plutarco, em 47 a.C, António se divorciou dela por ela ter dormido com seu amigo Públio Cornélio Dolabela. Ele teve apenas uma filha deste casamento:
  • Antônia de Esmirna (50 a.C - ?), que se casaria com Pitódoro de Trales em 36 a.C. Marco António casou sua filha com Pitodoro, que era extremamente rico, na mesma época em que se casou com Cleópatra, para selar o acordo diplomático entre eles, já que como aliado, Pitódoro contribuiria financeiramente com a campanha da Pártia de António. Deste casamento, nasceu Pitodoris do Ponto, rainha do Ponto e da Capadócia, e antepassada de uma longa dinastia de reis turcos até o século IV d.C. Antónia também foi noiva de Lépido Menor, filho do triúnviro Marco Emílio Lépido, por um curto período durante o ano de 44 a.C.
Fúlvia Flaca Bambula (c. 83 BC – 40 BC), aristocrata romana e uma das poucas grandes personalidades femininas da história de Roma. Previamente casada com Publius Clodius Pulcher e Caio Escribônio Curião, Marco António foi seu último marido. O casal teve 2 filhos:
  • Marco António Antilo ou Antilo (47 - 30 a.C). Antilo foi o único filho de António a conviver com Cleópatra, já que foi morar no Egito com o pai e a madrasta. Durante um curto período, esteve noivo de Júlia, filha de Otaviano. Em 31 a.C, após a batalha do Ácio, foi declarado maior de idade ao lado de Cesarion, na tentativa de sobreviver à queda do pai. Traído por seu tutor Teodoro, foi executado após a derrota do pai em Alexandria. Antilo era o herdeiro oficial de Marco António.
  • Julo António ou Julo (43 - 2 a.C), casado com Cláudia Marcela Maior, filha de Otávia Octávia, com quem teve Lúcio AntónioCaio António e Jula Antónia. Julo foi paetor em 13 a.C, cônsul em 10 a.C e procônsul asiático em 7 a.C. Julo teve um caso com a filha de Otaviano, Júlia, então casada com Tibério, futuro imperador de Roma e sucessor de Otaviano. Após a escandalosa descoberta do caso dos dois, Julo foi condenado por traição e forçado a cometer suicídio, e Júlia foi exilada por 5 anos na ilha de Pandatária. Após voltar a Roma, Júlia foi deserdada pelo pai, e viveu confinada em casa por seu marido Tibério até a sua morte em 14 d.C. Em seu testamento, Otávio deixou claro que Júlia não poderia ser sepultada no mausoléu da família.
Otávia, irmã de Otaviano. O casamento ocorreu em 40 a.C, para selar a renovação do triunvirato e selar a paz entre os dois triúnviros, António e Otávio, após a guerra contra Fúlvia e Lúcio António, irmão de António. O casal teve 2 filhas:
Cleópatra VII do Egito (69 - 30 a.C). Ex-amante de Júlio César. O casal teve 3 filhos:
  • Alexandre Hélio (40 a.C - depois de 29 a.C). Alexandre Hélio, o "gêmeo sol", foi declarado rei da Pártia durante as Doações de Alexandria. Ele esteve noivo de Iotapa, filha do rei da Média, entre 34 e 30 a.C., quando foi levado como prisioneiro de guerra para Roma após a queda dos pais. Desfilou acorrentado ao lado dos irmãos no triunfo de Otaviano e depois foi incorporado à família de Otaviano. Durante o casamento de Cleópatra Selene, foi libertado, e seguiu com a irmã e o irmão mais novo, Ptolemeu Filadelfo, para a Mauritânia, aonde ela seria rainha.
  • Cleópatra Selene II (40 a.C - 6 d.C). esposa e rainha de Juba II da Numídia e Mauritânia; Selene, a "gêmea lua", foi declarada rainha da Cirenaica durante as Doações de Alexandria em 34 a.C. Após a morte dos pais em 30 a.C, foi levada como prisioneira de guerra para Roma aonde desfilou acorrentada ao lado dos irmãos no triunfo de Otaviano e depois foi incorporada à família de Otaviano. Cerca de 25 a.C, foi dada em casamento a Juba II, que seria reinstaurado no trono da Numídia, e como dote, Otávio lhe deu o reino da Mauritânia para que o casal governasse juntos. Ao lado do marido, Selene foi uma grande incentivadora cultural de seu país, além de uma excelente administradora. O casal teve 5 filhos, pelo menos 2 chamados Ptolomeu, uma chamada Cleópatra, e uma chamada Drusila. O Ptolomeu mais jovem, que ficaria conhecido como Ptolemeu da Mauritânia, sucessor do pai no trono e último rei da Mauritânia, casou-se com uma princesa síria da família real de Emesa chamada Júlia Urânia, e a filha deles, Drusila, seria a antepassada de diversos reis e rainhas como Zenóbia de Palmira, e os imperadores romanos CaracalaSétimo SeveroGeta e Heliogábalo.
  • Ptolemeu Filadelfo (36 - depois de 29 a.C). Declarado rei da Fenícia, Síria e Cilícia durante as Doações de Alexandria em 34 a.C. Após a morte dos pais em 30 a.C, foi levado como prisioneiro de guerra para Roma aonde desfilou acorrentado ao lado dos irmãos no triunfo de Otaviano e depois foi incorporado à sua família. Durante o casamento de Cleópatra Selene, foi libertado, e seguiu com a irmã e o irmão mais velho, Alexandre Hélio, para a Mauritânia, aonde ela seria rainha.

Cronologia da vida de Marco Antônio[editar | editar código-fonte]

Marco Antônio no cinema[editar | editar código-fonte]

Lista de filmes (provavelmente incompleta)

Notas

  1. Ir para cima EpigraficamenteM·ANTONIVS·M·F·M·NMarcus Antonius Marci Filius Marci Nepos, ou seja, "Marco Antonio, filho de Marco, neto de Marco" segundo a Convenção romana de nomes.
  2. Ir para cima Foi também uma forma dele se afastar de Clódio, sobretudo depois de um embaraçoso envolvimento com Fúlvia, esposa do político.
  3. Ir para cima Júlio César que, a princípio, se mostrara desfavorável ao rei, mudou de posição, após receber generosa gratificação financeira.
  4. Ir para cima Apesar do governador de Chipre ser irmão do rei e ter morrido durante o ataque romano.
  5. Ir para cima Os senadores alegaram que os proféticos Livros Sibilinos desaconselhavam conceder ajuda militar a um rei do Egito.
  6. Ir para cima No ataque a Pelúsio, Antônio contou com o apoio de judeu